How to Reinvent a Software Company in the AI Era | Lucas Bacic (CEO, Loja Integrada) · decocms
How to Reinvent a Software Company in the AI Era | Lucas Bacic (CEO, Loja Integrada)
Disclaimer: The conversation—and the full transcript—are in Portuguese.
What happens when you decide to reinvent a platform with over 500,000 merchants using Artificial Intelligence? In this episode, we speak with Lucas Bacic, CEO of Loja Integrada, about the transition from reactive to proactive software.
We discuss the concept of "Software Gardening" (building around corners, rather than bridges) and debate why AI agents should serve as interfaces that gradually reveal complexity. We also cover the new "Guided E-commerce" category—which aims to end entrepreneurial loneliness by establishing AI as an operating partner—and how Loja Integrada cut down on rituals to regain startup speed.
We discuss:
01:56 — Lucas Bacic's journey: From Front-end to CEO
05:07 — The CEO Workflow with AI: Managing context via Notion and Slack
09:40 — The future of work & abstracting complexity (B2B SaaS)
15:35 — AI Agents as Interface and software navigation
19:05 — The fundamental distinction: From Prompt to Loop (Game Engines)
23:13 — Management in the AI era: Smaller squads and risk reduction
27:45 — Launch discipline (Launch Windows)
33:45 — Category Design: Guided E-commerce & the end of the "lonely entrepreneur"
37:45 — Daily tools: ChatGPT, Rewind, and tl;dv
Transcript (PT-BR):
[Guilherme Rodrigues] Fala, galera, tudo bem? Bem-vindos a mais um deco.cast. Eu sou o Guilherme Rodrigues.
[Rafael "Baby" Crespo] Sou o Rafael, o Baby.
[Guilherme Rodrigues] E hoje a gente vai conversar com o Lucas Bacic, o CEO da Loja Integrada, com quem eu tive um grande prazer de trabalhar por bastante tempo na VTEX. O Lucas foi responsável pela logo atual da VTEX, entre muitas outras coisas. E hoje ele é CEO da Loja Integrada, onde ele está fazendo um pivot para AI. A empresa está se reinventando com AI. Então a gente quer muito saber dessa jornada. Muito obrigado por estar aqui, Lucas.
[Rafael "Baby" Crespo] E é super well-rounded, né, cara? Entende de Product Marketing, de Comunicação, de Design, de Branding. É o cara que você puxa para conversar sobre qualquer assunto e sempre tem alguma coisa que vai te iluminar. Tem uma boa referência, tem um bom livro. É muito bom de trocar.
[Lucas Bacic] Ótima introdução. Muito obrigado pelo convite. Super animado de participar com vocês. Tem um bocado de coisa se movendo no mundo e gente perdida no como lidar com isso. Espero que eu possa ajudar essa galera.
[Guilherme Rodrigues] Com certeza. E acho que a gente pode começar pelo começo dando um pouco do seu contexto, Bacic. Você é da época que o modem fazia barulhinho já, né? Ainda, né? Conta só para a galera aqui saber qual foi a sua jornada, o que você começou fazendo e o que você está olhando agora como foco.
[Luca Bacic] Muito bom, muito bom. Eu fui aquele jovem que focou seus esforços e desconforto social em ser um nerd do computador, como muitos de nós. Eu comecei a programar muito cedo e com 16 anos eu estava trabalhando em software house como frontend developer. Nem sei se vocês sabem disso, mas eu comecei como front. Mas eu achei o trabalho do meu colega, que era designer, muito mais maneiro que o meu trabalho. E aí eu decidi fazer faculdade de Design e não de Ciência da Computação.
Sou designer de formação e acho que isso moldou muito a forma como eu vejo o mundo. Na minha trajetória, como vocês bem comentaram, eu participei de diferentes momentos, mas sempre vindo de uma inquietude de que eu não queria só fazer o que me diziam para fazer. Eu queria influenciar a direção de o que eu estava trabalhando. Seja se eu estava trabalhando com um cliente... Em algum momento eu fundei uma agência e eu atendia N marcas, a VTEX foi um dos meus clientes. Mas durante toda a minha trajetória eu tinha essa inquietude de: cara, eu não quero só parar e executar, eu quero influenciar para onde o negócio vai. Eu quero influenciar qual que é o problema que o usuário está tendo e como que eu ajudo a resolver esse problema. Então eu vim muito dessa inquietude.
A VTEX foi uma grande escola porque eu pude resolver N problemas, de participar de um IPO e pensar como que a gente comunica com o investidor, até como que a gente lança produto para desenvolvedores, até N situações. Isso me gerou uma elasticidade muscular gigantesca, até que há dois anos atrás eu vim para a Loja Integrada, que é uma empresa do grupo da VTEX, uma plataforma de e-commerce que ajuda pequenos e médios lojistas a vender online. E aqui a gente está falando de ajudar aquele microempreendedor que está numa confecção no interior, que tem um produto, tem uma oferta, mas não faz a mínima ideia de como fazer essa oferta chegar no restante do mundo.
O que é a Loja Integrada?
Basicamente, a Loja Integrada é a Shopify brasileira. A gente entrou há 13 anos no mercado com a premissa de que as pessoas não deveriam depender de um desenvolvedor ou de uma equipe técnica para conseguir vender online. Desde o primeiro dia a gente nasceu com planos gratuitos para aquela pessoa que não tem capital conseguir começar a vender online. E dali em diante a gente só foi crescendo. A transformação que o mundo está vendo agora com o surgimento de agentes de inteligência artificial, para essa audiência, é definitivamente transformador. É uma quebra de barreira de conhecimento, de sistemas que agora podem, de fato, guiar e executar pelo usuário. É transformacional.
Adoção de Inteligência Artificial
O meu processo de adoção de inteligência artificial começou com muita tentativa e erro. Mas o que rapidamente eu fui aprendendo é que se eu consigo guardar uma janela de contexto boa o suficiente durante o meu tempo naquele projeto, a qualidade final é gigantesca.
Então, vamos dizer que eu, como CEO, estou articulando a estratégia de 2026 da empresa. No momento que eu começo a articular essa estratégia, quais foram as entrevistas com usuários que eu rodei que mais informam essa estratégia? Quais foram os documentos antigos de estratégia de produtos que mais informam essa estratégia? Quais são as minhas referências bibliográficas para alguns saltos que eu quero dar? Como que eu guardo tudo isso dentro de um contexto? E eu vou evoluindo esse contexto junto. Isso acontece em projetos de longo prazo de reposicionamento de marca, de construção de uma estratégia de produto. Como que eu guardo esses contextos e vou, sempre que eu preciso gerar alguma coisa nova, estou trabalhando dentro desse mesmo contexto.
Esse é um pouco da minha evolução.
Hoje eu ainda sou, dependendo do problema que estou resolvendo, eu fico entre ChatGPT e Claude, dependendo do que estou trabalhando. Muito pela qualidade do output de cada um dos modelos. E aí eu acabo mudando as ferramentas que eu uso.
Como empresa, a gente começou a gastar uma boa energia para rever onde que vive o database, o source of truth das coisas. Então, o Notion, pela flexibilidade de conectar com os outros pontos, é o nosso lugar de documentação. É onde eu tenho um database só de cases de clientes, um database só de entrevistas de usuários. São databases confiáveis. E aí a gente conecta com outras ferramentas e vai usando aquilo como base.
E nesse seu uso pessoal, você já está conseguindo se alavancar desses databases de case, por exemplo, conectando no GPT ou no Claude, para que eles consigam diretamente acessar isso? Como é que você faz isso?
Essa interação acontece hoje, muito no nível básico de a empresa conseguir acessar aquele conhecimento de uma forma mais simples. Vulgo fazer uma pergunta no Slack e conseguir saber quem está trabalhando com aquela feature, por exemplo. A gente mantém hoje — somos uma empresa de software — todo o planejamento de iniciativas e ciclos, isso tudo vive no Notion. Se alguém da empresa quer saber "quem está trabalhando na integração tal?", é só perguntar no canal do Slack que a gente montou e esse canal vai acessar todo esse knowledge base e vai respondendo as pessoas.
Hoje a gente está com um time de 110 pessoas, 60 e poucos por cento é R&D. Então é um time bem focado em engenharia, produto, design. Muito trabalho. É um time mais sênior, então a gente roda menos em rituais e dailies e muito em comunicação assíncrona.
Um dos desafios que eu tive é como que eu... A gente está pivotando um produto no final do dia. Como que eu continuo evoluindo esse produto, que tem uma base de 525 mil lojistas vendendo diariamente, enquanto eu estou criando essa nova distinção? E aí vem esse lugar da disciplina diária. X% dos nossos esforços estão focados nesse milestone, nessa janela de lançamento. Mas eu preciso proteger pelo menos Y% para evolução incremental do core. E aí o incremental do core vai ser desde débito técnico, débito de usabilidade, e fazendo a estrutura melhorando.
Os nossos clientes agora podem votar em features de roadmap. Então eles podem ver o que a gente está priorizando. Eles vão dando thumbs up, thumbs down. E isso vai dando critério para a gente das coisas incrementais, não das coisas grandes. Das coisas incrementais.
A gente acompanha contact rate o tempo todo. E aí é o quanto de abertura de chamado que está gerando o produto. Se tem alguma coisa que está gerando muito contact rate, aí volta. E eu preciso proteger esse mínimo de disciplina. Porque isso me dá liberdade para inovar sem estar preso no passado. Se eu me manter disciplinado e manter o que já existe.
A transformação que a gente está vendo é uma transformação do trabalho. O produto que eu estou criando é uma nova interface de trabalho. Não é necessariamente uma nova interface de e-commerce. E-commerce é um trabalho para alguém, né? Então, para um grupo de pessoas, vender online é a principal fonte de renda. Mas o que a gente está falando aqui é, saindo de um mundo de software, principalmente SaaS, B2B, de alta complexidade.
Um futuro onde eu, como ferramenta, consigo permitir que um milhão de famílias brasileiras tenham no digital commerce a sua principal fonte de renda. Porque eu vejo na tecnologia um meio para a gente reduzir drasticamente a barreira de entrada, guiar essa pessoa e traduzir o nosso conhecimento em sugestões, em automações que façam essa pessoa, de fato, operar um negócio online.
A gente está entrando em uma nova era do que a gente está chamando internamente de E-commerce Guiado. Para o pequeno e médio varejista, vender online é sinônimo de muito corre, fazer muita coisa, esse cara opera muito, mas esse operar não se traduz em algum resultado. A frustração daquele empreendedor que está sendo bombardeado de pessoas vendendo cursos de como fazer mídia paga, de cursos de como bombar no Mercado Livre. Então é uma pessoa que está sendo bombardeada de informação.
Se a pessoa quer se sentir dona, o que a gente está falando para ela é: você não precisa mais empreender sozinho. E aí o caminho que a gente está trabalhando, toda a distinção que eu trouxe agora é do Loop. Eu não vou ficar passível de você vir me trazer contexto. Eu vou te guiar passo a passo até você chegar lá.